Primeiras impressões do filme. In JN, num texto de Rebecca Frasquet (Reuters):
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Novo filme de Lynch deixa Veneza perplexa
Rébecca Frasquet *
Oangustiado universo do cineasta norte-americano David Lynch, povoado de fantasmas e erotismo, invadiu a 63.ª edição do Festival de Veneza, onde "INLAND EMPIRE", o seu primeiro filme em cinco anos, foi projectado ontem em antestreia mundial, fora da competição. Aos 60 anos, David Lynch converteu-se no mais jovem realizador a receber o Leão de Ouro pelo conjunto da obra.
Fiel às premissas do cineasta, "INLAND EMPIRE" é um filme enigmático e tecido de tonalidades sombrias, capaz de reunir os elementos necessários para agradar aos muitos fãs de David Lynch.
O cenário, diabolicamente complexo, confronta os espectadores com a vida interior de Nikki, uma célebre actriz de Hollywood, o local por excelência onde "as estrelas sonham e os sonhos estão povoados de estrelas".
Por entre 'flashbacks' enigmáticos, o filme não tarda a abandonar os terrenos da racionalidade para revelar um turbilhão de imagens, músicas e sons, nos quais a cronologia é sabotada, os tempos dilatados, as imagens deformadas e as personagens se confundem.
Graças a uma fotografia extraordinária, Lynch expõe os fantasmas mais delirantes e improváveis, abarcando o registo do inconsciente, das pulsões e da vida.
No 'puzzle' angustiado em que se converte "INLAND EMPIRE", o autor de "Uma história simples" partilha as suas obsessões, que incluem, por exemplo, a perda da consciência, os ecos fantasmagóricos e o sado-masoquismo.
Terminada a projecção, os aplausos foram breves e, sintomático, perplexos.
"Todos os filmes partem de um outro mundo, do desconhecido é preciso, por isso, que não tenhamos medo de confiar na intuição e mergulhar no desconhecido", afirmou um reservado David Lynch na conferência de imprensa que se seguiu à projecção.
Para o realizador americano, que se recusou a responder a questões que envolviam interpretações de cenas do novo filme, "o cinema é uma linguagem magnífica, que nos fala sem palavras, pelo que é preciso fazer experiências de outro mundo".